7/Maio/2007 Utilização de óleo vegetal como combustível já está no mercado
O que pensaria de um combustível automóvel a um custo de 50 cêntimos o litro, que diminuiria o consumo dos veículos e ainda é amigo do ambiente? A oferta que até há algum tempo atrás poderia ser vista como utópica é hoje uma realidade e começa a ser implantada em Portugal. A responsabilidade é da BioCar, empresa localizada em Sintra, que pela mão do seu proprietário, aposta em revolucionar de uma assentada o mercado nacional automóvel e energético.
A ideia passa por adaptar as viaturas movidas a gasóleo para o consumo de óleo vegetal, através da instalação de tecnologia desenvolvida na Europa Central. “Em 2005, após alguns meses de investigação na Alemanha, recolhi muita informação sobre biocombustíveis, quer de pessoas que tinham já experimentado a mesma opção quer de empresas que vendem material técnico para adaptar os carros, e apercebi-me que há um movimento muito interessante na Europa central a este nível. Inclusive toda a Alemanha está equipada com estações de serviço para abastecerem óleos alimentares”, explica o empresário que afirma qualquer viatura a gasóleo pode ser convertida para consumir óleo alimentar com claras vantagens quer em termos económicos quer em termos ambientais. “O segredo deste combustível passa basicamente por ser aquecido dentro do motor, antes de o consumir no motor. Quando aquecido ele ganha propriedades técnicas muito semelhantes ao gasóleo. De resto, não há qualquer perda de rendimento do motor, os consumos mantêm-se ou até diminui, e reduzem-se as emissões prejudiciais ao ambiente, pois como se sabe o óleo alimentar provém de uma planta o que provoca inclusive menos fumos. Tecnicamente assiste-se ainda a uma diminuição do ruído e da vibração no motor” acrescenta.
Uma viatura pesada tipo TIR, como a Mercedes Benz Actros, que circule 200 mil quilómetros num ano pode economizar até 30 mil euros nesse período
Em termos técnicos a adaptação funciona através da instalação de uma de duas opções (dependentedo do modelo de cada veículo) disponibilizadas pela BioCar, que não são mais do que dois Kit's concebidos a partir de tecnologia importada a parceiros estratégicos alemães. A solução Kit Monotanque implica que a viatura trabalhe com o depósito original podendo consumir até 100 por cento de óleo nas temperaturas de Primavera e de Verão. “No Inverno, há a necessidade de utilizar uma mistura entre 10-30 por cento de gasóleo. Após a ignição do motor o óleo vegetal é aquecido electricamente e quando atinge a temperatura normal, o aquecedor eléctrico desliga-se e a refrigeração do motor (água) aquece assim o óleo por meio do permutador”, explica António Fernandes. As viaturas mais recentes necessitam da adopção do Kit Duotanque, em que a viatura precisa de um segundo depósito para gasóleo que é “utilizado somente para ligar o carro quando este está frio e após uns 3 ou 4 quilómetros a viatura muda automáticamente para o consumo de óleo alimentar com base em sistemas electromagnéticos”. Relativamente às vantagens deste biocombustível, o responsável da BioCar começa por sublinhar que “o retorno do investimento é conseguido em muito curto prazo. O caso mais extremo que recebemos foi de um cliente que tem um camião TIR que circula no tráfego internacional e faz mais de 200 mil quilómetros por ano. Essa viatura pode economizar em custos de combustível cerca de 30 mil euros por ano”, enaltece.
Em termos legais também não se verificam complicações, visto estar registado no Decreto-Lei 62 de 21 de Março de 2006 do Diário da República o óleo alimentar puro produzido a partir de plantas oleaginosas, Nessa perspectiva, António Fernandes aguarda que os primeiros-ministros europeus que assumiram a necessidade de um esforço conjunto em prol dos biocombustíveis avancem agora com passos visíveis nesse sentido. “Quando ouvimos diariamente que o país necessita reduzir o défice, seria determinante que o Estado apoie e motive os consumidores para apostarem nestas tecnologias em vez de lamentar cada dólar que aumenta o preço do barril de petróleo. Há que pôr as mãos à obra, não pagar aos agricultores para terem as terras paradas e incentivar a plantação de girassol, soja e outras plantas que possam ser convertidas num óleo combustível”, remata.
Publicação: 08-01-2008 17:24Carro a óleo de fritarTecnologia já existe em Portugal O aumento do preço dos combustíveis está a levar cada vez mais pessoas a procurar alternativas. Uma das mais inesperadas é usar óleo de cozinha para fazer andar automóveis.
SIC
Carro que anda a óleo de batatas fritas é mesmo verdade. Esta tecnologia já é usada em alguns países europeus, mas em Portugal os condutores ou não conhecem ou desconfiam.
Há dois anos e meio, António Fernandes deixou de gastar gasóleo. Instalou um Kit no carro e agora só anda a óleo usado. Por outras palavras, o aumento do preço do petróleo é coisa que não o preocupa. E mesmo sem qualquer adaptação, muitos carros podem já começar a poupar.
Ou seja, com determinadas características, pode meter no depósito entre 15 a quase 40 litros de óleo vegetal, o tal óleo de fritar, que pode comprar em qualquer hipermercado, a metade do preço do gasóleo.
Quanto ao cheiro, existe só nos primeiros dois minutos, quando o óleo começa a aquecer, garante António Fernandes.
O kit custa cerca de 400 euros. Com instalação, fica em 500. Se vale ou não a pena é uma questão de fazer as contas aos quilómetros que faz. Num camião TIR, o investimento pode ser recuperado em poucas semanas ou meses, com poupanças que podem chegar aos 15 mil euros por ano.
Até agora, cerca de dois mil portugueses já usam óleo vegetal para poupar nos combustíveis. Quanto à inspecção, não há qualquer problema, porque não afecta em nada a segurança do automóvel. O único problema é mesmo o abastecimento
Combustível invulgar permite poupança Carro movido a óleo vegetal
O óleo de cozinha, que se compra em qualquer supermercado, pode ser usado em automóveis movidos a gasóleo como substituto mais económico desse combustível. À primeira vista pode parecer uma grande inovação, face ao aumento galopante do petróleo, mas a verdade é que se trata de um simples regresso às origens.
“Há 111 anos, o senhor Rudolph Diesel desenvolveu um motor de combustão, cujo combustível era óleo vegetal”, disse ao CM António Fernandes, responsável pela empresa Biocar que prepara viaturas movidas a gasóleo para usarem também óleo vegetal.
Viveu durante mais de duas décadas na Alemanha, onde lidou de perto com a poderosa indústria automóvel alemã, mas António Fernandes descobriu as potencialidades do óleo vegetal já em Portugal. Após vários meses de pesquisa intensa na internet e de muitos contactos com empresas germânicas, achou que estava preparado para arriscar “colocar óleo de fritar batatas no motor do carro”.
“No Verão de 2005 fui a um hipermercado com o meu Nissan Bluebird e enchi metade do depósito com óleo comprado ali mesmo”, conta António Fernandes, a quem chamavam ‘maluco’ por meter óleo no tanque de combustível, dando conta da surpresa “ao ouvir o motor mais silencioso, com mais força e menos vibração”.
Tecnicamente, todas as viaturas a gasóleo podem ser transformadas para que funcionem igualmente a óleo vegetal. A lista pode ser consultada no site oficial da empresa. “O conceito é bastante simples: o óleo é mais viscoso do que o gasóleo e, para ser utilizado pelas bombas injectoras, precisa de ser aquecido para diminuir essa característica”, refere, acrescentando que “alguns carros mais modernos não arrancam a óleo e, por isso, necessitam da solução de dois depósitos, um mais pequeno para gasóleo e outro de óleo vegetal”. Os custos de transformação podem ir dos 500 euros, para viaturas que só necessitem do kit monotanque, aos 900, para o kit de dois depósitos. Pesados também podem ser transformados, com um custo à volta dos quatro mil euros.
ETANOL DESTRÓI SELVA AMAZÓNICA
O Brasil, líder na produção de biocombustíveis, é alvo de críticas devido à destruição da selva amazónica. Tad Patzek, especialista na Universidade de Berkeley, Califórnia, é um dos maiores críticos à forma como o Brasil produz etanol a partir da cana do açúcar. “Dizer que é um modelo a ser seguido é um exagero”, disse, referindo-se às declarações do responsável pelo programa ambiental das Nações Unidas que elogiou o trabalho desenvolvido no Brasil. A ONG Amigos da Terra revelou que os agricultores estão a devastar a Amazónia para produzir cana do açúcar, depois de lhes terem sido retiradas terras de cultivo pelas grandes empresas produtoras de biocombustível.
UE ADMITE QUE HÁ PROBLEMAS
O comissário europeu do Ambiente, Starvos Dimas, alertou recentemente para a necessidade de a União Europeia reconsiderar o uso dos biocombustíveis. Conforme o próprio reconheceu, a União Europeia (UE) não previu as consequências negativas. “Concluímos que os problemas ambientais provocados pelos biocombustíveis e os problemas sociais são maiores do que pensámos antes”, afirmou Starvos Dimas, para quem é necessário “avançar com cuidado”. A mudança de atitude veio na sequência de vários estudos que estabelecem uma relação directa entre o aumento do preço de alimentos e a destruição de áreas de floresta devido à produção de biocombustíveis. “Temos de ter critérios de sustentabilidade, incluindo questões sociais e ambientais”, acrescentou.
DETALHES
EXEMPLO ALEMÃO
Agricultores alemães já recorrem ao óleo vegetal como forma de combustível há mais de 20 anos. Por ano fazem duas plantações de colza, vegetal cujas sementes produzem óleo.
POPUAR 15 MIL EUROS
Nos camiões adaptados ao consumo de óleo vegetal, a estimativa de poupança de combustível chega a atingir os 15 mil euros anuais por viatura.
INSPECÇÃO PERIÓDICA
Uma viatura transformada para receber óleo vegetal não tem problemas aquando da inspecção periódica obrigatória, garante António Fernandes.
ALTERNATIVAS
As preocupações ambientais fizeram aumentar a procura de combustíveis amigos do ambiente, como a electricidade, o gás, a energia solar ou mesmo o hidrogénio.
VANTAGENS
RENDIMENTO
O recurso a óleo directo como combustível não acarreta qualquer perda de rendimento da viatura. A isto acrescenta-se o preço por litro, que pode representar poupança de 75 cêntimos.
SILÊNCIO
Com uma combustão mais lenta, o barulho no arranque do motor e durante o andamento é mais reduzido, verificando-se também uma redução na emissão de dióxido de carbono para a atmosfera.
DESVANTAGENS
FALTA DE PRODUÇÃO
A produção de óleo vegetal em Portugal é praticamente nula, sendo na sua maioria importado. Isto faz com que o preço do óleo vegetal seja mais caro do que em países auto-suficientes.
ABASTECIMENTO
Em Portugal não existe uma rede de postos de abastecimento deste combustível, ao contrário de outros países da União Europeia. A solução passa por adquirir o produto em supermercados ou restaurantes.
NOTAS
FILTRO DE GASÓLEO
Além do permutador, o filtro de gasóleo também recebe um mecanismo eléctrico para aquecer o óleo vegetal. Este é accionado apenas para o arranque da viatura, após um longo período de paragem.
PERMUTADOR
Tem a função de aquecer o óleo vegetal. Ao receber água do motor, que circula a uma temperatura suficientemente elevada, permite que o óleo vegetal adquira uma viscosidade semelhante à do gasóleo, podendo assim ser injectado pela bomba.
ÓLEO VEGETAL
Qualquer óleo que se encontre à venda nos supermercados pode ser utilizado numa viatura a gasóleo. Comparando com o preço actual do gasóleo, regista-se uma poupança que pode chegar a atingir os 50 por cento. O óleo, depois de usado, também pode ser utilizado nos automóveis, necessitando de passar por um processo de filtragem.
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